“brasileiramente, brasileiros!”. por João Bosco
Minhas queridas Wlad Lima e Karine Jansen,
Oxalá (inch Allah) a temporada de “Brasileiramente, Árabes!” não se resuma apenas a esses dez dias, o que é muito pouco para um trabalho tão bom.Vi no segundo dia e me preparei pra ver outra vez (gosto dos prazeres dobrados), mas infelizmente não deu.
Não concordo com…., quando disse que não é emocionante. Talvez no início seja um pouco áspero, seco, como seria a vida de quem está chegando a um novo mundo completamente desconhecido, onde todos os laços (aqueles panos maravilhosos?) teriam que ser refeitos.Os atores estão ótimos. Digamos que o espetáculo começa em prosa e termina em poesia.
Os objetos comuns, utilitários, a partir de certo momento adquirem uma voltagem altamente poética. Baseado em cartas, só uma delas é realmente lida como carta, quase no final, numa cena onde o que é visto (a dança do ventre) e o que é ouvido competem em beleza e emoção. A última cena é uma jóia rara, talvez o resumo poético do que em nosso imaginário brasileiro possa ser o clima e a magia das “Mil e Uma Noites”.
Confesso que tive de enxugar uma furtiva lágrima e desfazer o nó na garganta antes de sair do teatro. Obrigado, minhas Scherezades! Antes com o Japão (“Sol e Chuva – Tayo to Ame” – só gosto mais porque já fui uma raposa branca em outras encarnações) e agora , vocês estão mostrando que somos todos “brasileiramente, brasileiros!”.
Tou certo? Mas chega de salamaleques. Uassalã! Escrito às 14:00 de 12.04.2010, olhando o Rio Guamá e comendo caruru (onde está Wally?).Beijo.






