História que minha irmã Salette me contou… por Rosana Darwich

Vovó Rosa Darwich e minha mana Sallete, a primeira neta

Vovó Rose Darwich e minha mana Sallete, a primeira neta

 

Queridona, os libaneses eram meus avós maternos que, infelizmente morreram eu ainda era muito criança, minha mãe que era a primeira dos 7 filhos tb morreu quando eu tinha apenas 1 ano de idade, por isso, não lembro de ter ouvido histórias deles, o que eu sei é que eles casaram, vieram primeiro morar em Altamira, quando minha avó chegou aqui como ela não sabia falar uma palavra em portugues, ensinavam para ela palavrões e ela falava normalmente, pois não sabia o significado dos mesmos, por isso que toda a família Darwich é completamente pornográfica e desbocada, pq o que mais ouvíamos a vovó chamar era palavrões de baixo nível, kkkkk…
Ela, não falava muito nestes assuntos, pq não teve uma vida muito fácil no Líbano e depois que casou tb sofreu muito, pois o vovô era completamente safado, formava família em todo lugar que passava, inclusive tenho alguns parentes em Altamira que eu não conheço, filhos dele com outra mulher.
Meu avô que só o conhecia como vô cabeça, não tive contato com ele, morreu quando eu era bb, minha avó que se chamava Rose e era uma pessoa maravilhosa tive mais contato, mas tb se foi quando eu era criança, por isso não tenho estas memórias.
Se não fosse pelo meu sobrenome Darwich (que eu adoro), pelo meu nariz de turco e pela minha sombrancelha grossa eu não me acharia com descendência árabe, pois não sei nada e não ouvi as histórias dos lados de lá!!!
Nome dos filhos: Therezinha de Jesus (minha mãe que teve 3 filhos), José (casado pai de 5 filhos), Leda (solteira), Rosete (casada mãe de 1 filha), Nadim (tb falecido,foi casado e pai de 2 filhas), Karim (solteiro morando no Rio), Brahim (casado e pai de 3 filhos).
Isso é tudo (nada) que sei.

Minha irmã mais velha a Sallete sabe mais um bocadito que eu, e foi isso que ela me contou:

A vovó vivia no Líbano na época da invasão dos mulçumanos.De família católica, sofreu perseguição como todos os católicos do Líbano da época. Muitas mesquitas foram construídas e vovó, ainda menina, pulava os muros baixos e fazia xixi na porta da frente das mesquitas.

Outra coisa que lembro das histórias que contavam é que a vovó tinha um tio que era bispo, culto e muito inteligente, fazia os discursos do então presidente da França Charles de Gaulle (o Líbano era colônia da França).
Sei também que este tio bispo era um construtor e construiu a ponte que ligava a cidadezinha até a capital. E que tb levou a luz elétrica para a cidadezinha.
Vovô e vovó eram primos de primeiro grau e vieram fugidos do Líbano, junto com mais dois primos. Toda a família deles foi assassinada pelos mulçumanos.
Não sei se pude ajudar com estas pouquíssimas informações, espero que sim.
Beijos
Rosana Darwich Coral

MEMÓRIA E IDENTIDADE SOCIAL*

Michael Pollak

“Quaiss são, portanto, os elementos constitutivos da memória, individual ou coletiva?

Em primeiro lugar, são os acontecimentos vividos pessoalmente. Em segundo lugar, são os acontecimentos que eu chamaria de “vividos por tabela”, ou seja, acontecimentos vividos pelo grupo ou pela coletividade à qual a pessoa se sente pertencer. São acontecimentos dos quais a pessoa nem sempre participou mas que, no imaginário, tomaram tamanho relevo que, no fim das contas, é quase impossível que ela consiga saber se participou ou não. Se formos mais longe, a esses acontecimentos vividos por tabela vêm se juntar todos os eventos que não se situam dentro do espaço-tempo de uma pessoa ou de um grupo. É perfeitamente possível que, por meio da socialização política, ou da socialização histórica, ocorra um fenômeno de projeção ou de identificação com determinado passado, tão forte que podemos falar numa memória quase que herdada. De fato – e eu gostaria de remeter aí ao livro de Philippe Joutard sobre os camisards -, podem existir acontecimentos regionais que traumatizaram tanto, marcaram tanto uma região ou um grupo, que sua memória pode ser transmitida ao longo dos séculos com altíssimo grau de identificação. Além desses acontecimentos, a memória é constituída por pessoas, personagens. Aqui também podemos aplicar o mesmo esquema, falar de personagens realmente encontradas nodecorrer da vida, de personagens freqüentadas por tabela, indiretamente, mas que, por assim dizer, se transformaram quase que em conhecidas, e ainda de personagens que não pertenceram necessariamente ao espaço-tempo da pessoa. Por exemplo, no caso da França, não é preciso ter vivido na época do general De Gaulle para senti-lo como um contemporâneo.

Além dos acontecimentos e das personagens, podemos finalmente arrolar os lugares.

Existem lugares da memória, lugares particularmente ligados a uma lembrança, que pode ser uma lembrança pessoal, mas também pode não ter apoio no tempo cronológico. Pode ser, por exemplo, um lugar de férias na infância, que permaneceu muito forte na memória da pessoa, muito marcante, independentemente da data real em que a vivência se deu. Na memória mais pública, nos aspectos mais públicos da pessoa, pode haver lugares de apoio da memória, quesão os lugares de comemoração”.

http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/104.pdf

~ por Karine Jansen em Outubro 3, 2009.

5 Respostas to “História que minha irmã Salette me contou… por Rosana Darwich”

  1. Muito legal! Só faltou o nome da minha irmã Salette Darwich, pois ela que me contou esta história.
    Obrigada queridona. Parabéns pelo blog!!!
    Beijos.

    • Olá Rosana,
      Sou pesquisadora iconográfica de uma editora em Curitiba, Paraná, gostaria de saber se é possível obtermos a autorização para o uso da imagem de sua vó e de sua irmã que foi postada acima?

      Desde já agradeço a atenção

      att.
      Evelyn Peruci

  2. Ótimo!!! Mandei umas fotos para teu email. Muito interessante, isso me fez ver e reviver bons momentos vendo nossas fotos de criança.
    Obrigada!!! Beijos.

  3. Oi Karine. Bacana teu espaço.
    Tenho umas observaçõeszinhas: o nome da vovó era Rose e a mamãe Therezinha tinha mais 7 irmãos, ou seja, eram 8 contando com ela (irmãos de pai e de mãe).
    Beijo

  4. Karine, desculpa, eram sete filhos realmente, uma, a caçula Nazaré, é filha de criação. Aí eu contei com ela tb.
    Beijo

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