Kafta’s Cozinha Árabe, um tempero dos Abdelnor

 

 

 

 
 

 

texto de Cleice Maciel, bolsista do Cnpq, aluna do curso de graduação de teatro

 

 

Kafta’s Cozinha Árabe

A proprietária Marleny Abdelnor, representante da terceira geração de uma família de libaneses, cresceu vendo a mãe e a avó prepararem as iguarias dessa culinária. Foi com elas que aprendeu a fazer o tradicional quibe, a coalhada seca, homus (pasta de grão-de-bico) e tabule. A família chegou a ter um restaurante em Zahle, a 50 quilômetros de Beirute, cidade conhecida por concentrar os melhores restaurantes da região. Exemplos da autêntica cozinha, a berinjela picante e o quibe cru são opções de entrada. Das receitas da avó, tem o frango com amêndoas e o arroz de carneiro com grão-de-bico. Tem ainda charuto de folha de uva ou de repolho. Doces à base de nozes, como mamul e beleua, estão entre as sobremesas. Aos domingos tem rodízio, com mais de 15 opções de pratos.

ENDEREÇO: Rua Almirante Wandenkolk,245,entre  Av. Senador Lemos e Municipalidade, Umarizal
Telefone: 91 3242-6871

 Culinária e performance cultural

por

Paula Camila Monteiro

Rita de Cássia dos Santos Guimarães

Fúlvia Letícia Baiochi dos Santos

Para que se esclareça a relação entre culinária e patrimônio imaterial, precisa-se primeiramente, realizar uma discussão acerca do patrimônio em si. O

conceito de patrimônio originalmente esteve ligado à questão de pertença de

bens, principalmente os materiais, como nos mostra Barreto (2003) em sua

definição deste: “conjunto de bens que uma pessoa ou uma entidade possuem (…)

Transportados a um determinado território, o patrimônio passa a ser o conjunto de

bens que estão dentro de seus limites de competência administrativa” (2003, p.

?)Todavia, a idéia de patrimônio foi requalificada por diversos adjetivos, tais como

natural, histórico e cultural.

Patrimônio cultural pode ser classificado como conjunto de bens materiais

(tangíveis) e imateriais (intangíveis), não só as edificações e monumentos

históricos ou as manifestações artísticas, mas todo o fazer humano, tudo o que o

ser humano produz, de todas as classes sociais, tanto as mais quanto as menos

favorecidas. (BARRETO, 2003, p. 11). Ou seja, patrimônio cultural é tudo aquilo

que constitui um bem apropriado pelo homem – o que ele faz – com suas

características únicas particulares – o que é importante.

Londres (2004), citando o anteprojeto da UNESCO aprovado na 32ª

Conferência Geral, realizada em outubro de 2003, nos mostra a seguinte definição

de patrimônio imaterial:

O “patrimônio cultural intangível” é constituído por práticas,

representações, expressões, saberes e fazeres – assim como

instrumentos, objetos, artefatos, e espaços culturais que lhe são

associados – que comunidades, grupos e, quando for o caso, indivíduos

reconhecem como parte de sua herança cultural. Esse patrimônio cultural

imaterial, transmitido de geração em geração, é constantemente recriado

por comunidades e grupos em resposta ao seu meio ambiente, sua

interação com a natureza e suas condições históricas de existência, e lhes

proporciona um sentido de identidade e continuidade, promovendo assim o

respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana. (LONDRES,

2004, p. 22-3)

Desse modo, podemos entender que a culinária e seus modos de fazerpodem ser considerados como parte integrante do patrimônio cultural imaterial.

Cada colaborador relata sua própria percepção sobre do afogado, entretanto estas percepções apresentam muitos aspectos em comum, o que demonstra a identificação e a memória coletiva da comunidade em relação ao prato. Isso pode ser fundamentado pelo conceito de identidade proposto por Maffesoli (1987, apud BARRETTO 2003, p. 46): “implica o sentimento de pertença a uma comunidade imaginada, cujos membros não se conhecem, mas partilham importantes referências comuns: uma mesma história, uma mesma tradição”

A discussão sobre identidade, leva à discussão acerca do conceito de memória. Segundo Halbwachs (1990), a memória pode dividir-se em duas possibilidades: a memória individual e a memória coletiva. Ambas relacionam-se e interferem-se entre si. A memória individual seria aquela que toda pessoa possui,que faz referência ao que ela viveu ao longo de sua vida, ou seja, faz referência às lembranças individuais. Já a memória coletiva:

Envolve as memórias individuais, mas não se confunde com elas. Ela evolui segundo suas leis, e se algumas lembranças individuais penetram algumas vezes nela, mudam de figura assim que sejam recolocadas num conjunto que não é mais uma consciência pessoal (HALBWACHS, 1990,p.53).

A identidade, então, pode ser considerada como algo diversificado, pois é composta não só pela memória coletiva, mas também pelo patrimônio cultural.A partir da discussão até o momento realizada, verifica-se que o afogado pode ser considerado parte do patrimônio cultural imaterial da comunidade, uma vez que este prato representa a religiosidade da comunidade, a fartura e hospitalidade presentes na Festa do Divino Espírito Santo.

Tendo em vista a análise dos relatos, pode-se notar que estes aspectos são relevantes, pois se remetem ao que a comunidade considera importante. Segundo Klas Woortmann (2006), a comida é importante para a manutenção da memória e identidade de uma comunidade, como se pode verificar com o afogado na Festa do Divino.

O afogado (prato típico) constitui-se então como um importante meio de identificação cultural da comunidade, remete-se a memória coletiva e, portanto pode ser considerado patrimônio cultural imaterial da mesma.

Referências

BARRETO, Margarita. Turismo e legado cultural: As possibilidades do

planejamento. 4 ed. Campinas: Papirus, 2003

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 11. ed. revisto,

atualizado e ilustrado. Global, 2001.

CIAFFONE, Andréa. “Turismo e gastronomia: o verdadeiro sabor da descoberta”.

In: FUNARI, Pedro Paulo; PINSKI, Jaime (orgs). Turismo e patrimônio cultural.

São Paulo: Contexto, 2003.

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

LARAIA, Roque de Barros. “Patrimônio imaterial: conceitos e implicações”. In.

GARCIA, Marcos Vinícius Carvalho, GUSMÃO, Rita, TEIXEIRA, João Gabriel L. C.

(orgs) Patrimônio imaterial, performance cultural e (re)tradicionalização. Brasília:

ICS-UnB, 2004.

LONDRES, Cecília. “Patrimônio e performance: uma relação interessante”. In.

GARCIA, Marcos Vinícius Carvalho, GUSMÃO, Rita, TEIXEIRA, João Gabriel L. C.


 

 

~ por Karine Jansen em Outubro 11, 2009.

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