Mercearia São Jorge e outros comércios….Por Jeferson Cecim

Meu avõ Jorge Elias Cecim

Meu avõ Jorge Elias Cecim

Meu pai em um leito de um hospital uma vez me relatou a trajetória de meu avô, Jorge Elias Cecim da Síria para o Brasil. Ele não lembrava muito de como lá na Síria só restaram três pessoas na família, meu bisavô, minha bisavó e meu avô Jorge Elias Cecim. O que ele me relatou é que meu bisavô trabalhava numa ferrovia e em um acidente morre. Com a morte do meu bisavô, minha bisavó vende tudo e embarca num navio para o Rio de Janeiro em busca de uma irmã. Vai ao consulado e descobre que a irmã estava radicada em Manaus. Viaja para Manaus e vai de novo ao consulado, e descobre que a irmã está agora no Pará. Resolve fixar-se em Manaus para economizar o dinheiro e abre um comércio até certo tempo.

É em Manaus que meu avô conhece minha Vó, Luiza Pereira, vinda do Ceará com a família (pai, mãe, dois irmãos) casam-se e assim se constrói minha família. Acho que minha bisavó quando chegou ao Brasil já não tinha os costumes de lá, não sei. Só sei que meu pai nunca falou sobre alimentação e nem hábitos de lá. Em Manaus nascem três irmãos de meu pai: Tia Alba, Tio Raimundo (Mundi), Tio Elias. Não sei quanto tempo eles passam em Manaus, sei que o comércio não indo muito bem, resolve ir para o Pará. Embarcam num navio a caminho de Belém.

Em Belém através do consulado descobre que os parentes residem em Timboteua. Embarcam todos de trem rumo a Timboteua. Lá meu avô começa a trabalhar para o Sarquis, que abre um comércio em Jambu-Açu para meu avô, ao mesmo tempo meu avô começa a fornecer peças para a estrada de ferro Belém-Bragança. Em jambu-Açu ele constrói sua primeira casa (com a ajuda do Sarquis) e leva toda a família para lá. Cansado de trabalhar de graça para o Sarquis, começa a guardar uma quantidade do lucro para si próprio. Lá nasce o Tio Luiz Jorge Cecim (Lulu).

Ainda em jambu-Açu compra uma embarcação e com três tripulantes vai até a ilha de Areuá, onde tem seu primeiro comércio só seu, e sua primeira casa construída com seu próprio dinheiro. Fica um tempo fazendo esse comércio onde vende farinha, frutas e é onde compra o peixe salgado para revender em Jambu-Açu,Igarapé-Açu,Timboteua e Peixe-boi. Essa época dever ser 1926, pois é o ano do nascimento do meu pai Eugenio Jorge Cecim. Lá também nascem mais três tios: tio Alemão (José Cecim), tia Mimi (Raimunda Cecim), Tia Madalena. Neste mesmo ano morre as duas bisavós. Meu avô sustentava as duas famílias. Eu não sei até quanto tempo ele fica em Jambu-Açu, com a memória fraca de meu velho pai, que estava com 80 e poucos não dava pra ir atrás dos detalhes, pois suas lembranças vinham e voltavam em frações de segundo e sempre o relato vinha coberto por olhos lacrimejantes cheios de saudade .

Neste dia foi quando pude me aproximar mais de meu pai, de sua maneira peculiar de relatar os fatos, de lembrar, de sua família e de seus irmãos. Relatava com orgulho e alegria… Voltando ao meu avô agora radicado em Abaetezinho, que fica na zona bragantina também. Lá ele compra uma taberna de uma viúva e constrói seu primeiro comércio completo: a Mercearia São Jorge, com aviamentos, armazéns de estivas, armazém de cachaça e farmácia. Compra canoas a vela para vir até Belém vender milho, farinha, algodão e comprar tudo o que vendia na mercearia também. Lembro que meu pai contava que às vezes eles vinham de trem de Bragança até Belém pra comprar e pagar as mercadorias. Desciam na estação em São Brás, onde fica a rodoviária agora, e de lá seguiam em caminhos , passando pelo igarapé das almas, a doca do reduto e ver-o -peso e lá ficavam uns dias esperando as embarcações para levar as mercadorias.

Nessa época, meu avô manda meu pai para Belém para estudar no colégio do Carmo e cursar o ginásio, lá faz um curso de enfermagem para ficar responsável pela farmácia da mercearia. Voltando a Abaetezinho nasce mais duas tias minha : Jacira e Maria. Nessa época a família estava grande e todos moravam com meu avô, quando um deles se casava, ele montava um comércio para cada um. Foi assim com meu tio Mundi e Elias, com comércios montados no entroncamento e em Itaquã (lugar próximo de Abaetezinho). Além dos filhos com minha vó meu avô ainda tinha os filhos de criação Rebolo (Raimundo) De ferro (Benedito), Odilon, que parece eram filhos da parteira.

Meu avô gostava de muita gente circulando na casa, creio eu, pois minha mãe me falava que quando casou eles moraram lá, e que a mesa era imensa pra caber todos, e que todos comiam a mesa ,até os empregados. Não sei quanto tempo eles ficam em Abaetezinho, sei que ele vende a Mercearia São Jorge para o Tio Mundi, que já estava casado lá. Vai para Bragança de canoa, nesta época só estavam morando com ele as tias Maria, Mimi, Madalena, Jacira e meu pai Eugenio, apelidado de Judeu em Bragança, era recorrente essa coisa dos apelidos na família.

Há um caso curioso que meu pai me contou sobre meu tio que todos chamavam de Alemão, pois era loirinho. E na mercearia meu avô chamava : Alemão pra lá, Alemão pra cá. Acho que era época da guerra e não sei como foi cair nos ouvidos do Barata que lá em Bragança havia um comerciante que estava escondendo um alemão em sua mercearia. Bom, Chegou uma pessoa da capital chamando meu avô na mercearia e o indagando a respeito do alemão que ele estava escondendo no seu estabelecimento. Meu avô gritou o nome do filho: Alemão!!, O garoto aparece e todos riram. Meu avô chamava pra minha vó carinhosamente de Lola. Daí que vem tanto apelido na família.

Uma vez passei uns dias na casa de minha tia Maria, em Bragança e ela juntamente com a tia Mimi me ralatavam com os olhos cheios de lágrimas que viveram uma infância maravilhosa, nunca lhes faltava nada, que meu avô era um homem trabalhador, que construiu com esmero sua mercearia, que era bondoso com pessoas que chegavam feridas, doentes e sem dinheiro na sua farmácia pedindo auxilio, ele não só ajudava como hospedava essas pessoas, com isso chegava à casa sacas de milho, farinha, porcos e tudo mais como forma de agradecimento. Elas disseram também que quando meus avôs casaram, eles vendiam carvão, e minha vó ficava com a cara toda suja e só dava pra ver os belos olhos azuis que tinha, e meu avô tirava sarro da sua Lola. Meu pai me falou sobre o terceiro e ultimo comércio que meu avô montou em Bragança, que tinha uma fábrica que engarrafava cachaça e importava vinho do sul em barril, além de fabricar vinho e vinagre, que seu comércio era um dos grandes da década de 50.

Isso é o que sei de meu avô, relatado pelo meu pai. Sei também através de minha mãe que todos os comércios que meu avô montou para os filhos homens “eles jogaram tudo no mato com mulheres”. Ou como minhas tias “os manos não tinham trato com o comércio, meu pai era que tinha..eles não herdaram o dom” RS!. Não sei até que ponto era verdade, sei que meu pai adorava um rabo de saia… Como meu avô.    RS!

Jef Cecim

pequenína árvore geneológica:

Jorge Elias Cecim                                            Luiza Pereira

(Sírio-Libanes)                                                  (Nordestina)

 

Filhos :

Alba

Raimundo(Mundi)

Elias

Luiz Jorge

José (Alemão)

Eugenio (judeu)

Raimunda (Mimi)

Maria Madalena

Jacira

Maria

Raimundo (Paió)

para refletir pelos estudos da performance:

Ezequiel Ruiz Moras

*

Communitas, Ritual e Acção Open Identidades

Entre os Taksek Toba do Chaco Central

rituais de cura regenera do grupo ethos e legitima suas práticas culturais como bem como as suas concepções do mundo (Weltanschauung). O existencial e demo – sociedades gráfico fragilidade inerente à caça e coleta de levá-los a definir no moção uma espécie de permeabilidade para evitar a debilitação do seu ser, por vezes através de exploração política de um evento, ou seja, as alianças, revitalizando crise, re-comunidade rituais de geração, as explicações mitológicas ou o reforço do contingente pré -turas e as condições normativas. Buber (1972: 11) refere-se a uma essencial nós que envolve todas as relações possíveis entre aqueles existentes em uma comunidade. Mas, como pontos de Turner para fora, este essencial nós tem uma natureza liminar e temporário, desde a sua persistência, implicaria a institucionalização e repetição, enquanto a comunidade é sempre uma experiência única, e Consequentemente, socialmente temporária “(Turner 1988: 142).

~ por Karine Jansen em Outubro 19, 2009.

7 Respostas to “Mercearia São Jorge e outros comércios….Por Jeferson Cecim”

  1. Oi Jeferson!!!

    Meu nome é Renato, sou filho de Rosalba Cecim, neto de Dona Madalena Cecim(Mada). Li agora a pouco seus relatos sobre a história da nossa família, a Vovó leu comigo também, a medida que estava lendo ela foi lembrando do muitos fatos que não foram citados, assim como confirmou todos os que acima estão relatados por você(que assim como meu tio-avó, seu pai foi contanto com os olhos em lagrimas lembrando dos tempos que a vida era mais dura por muito melhor de se viver). Gostaria muito de poder entrar em pleno contato com você para que assim possamos juntar todos os fatos da história e fazer um relato extremamente completo de nossa GRANDE FAMÍLIA.

    Abraços.
    Renato Cecim.

  2. jeferson

    sou felipe cecim neto de heloiza galvão cecim filha de luiz jorge cecim(lulu)que morreu a onde teve seu comercio no arsênio temos uma tia que mora aqui em mosqueiro o nome dela e jacira esta bem velinha e trabalhadora minha vó ficou bastante emacionada oa lembrar de seu pai.ficamos sabendo da morte do tio cecim não sei se e verdade minha vó minha disse que era afilhada dele a historia da familia já ouvi desde pequeno. morro em mosqueiro com minha vó

  3. olá felipe. realmente é verdade o falecimento de meu pai eugenio cecim, apesar da tristesa, tivemos o privilégio de rever nossos familiares. fico contente de vc ter acessado o blog.saudações a todos de mosqueiro. jef cecim

    • olá jeferson meus pêsames minha vó ficou triste com a morte do seu pai,pos ele era além de tio era padrinho dela e ela disse que conheceu os filhos dele quando eram pequenos,que deu uma casa para ele no carreio em troca de uma cama e um fugão.depois que ele foi para a marambaia depoi foram para mauriti depoi a vovó não soube mas onde ele foi morar ela queria saber se você se lembra

      FELIPE CECIM

  4. Oi Jef! adorei suas memorias, fico emocionada parabéns e grande bjo.
    Carla Beltrão

  5. Oi sou suelen, filha de regina cecim que e filha de sua tia jacira cecim. ficamos muito emocionadas com essa maravilhosa história.Minha mãe disse que lembra muito de você… um ernome abraço! aqui está o orkut da minha mãe: regina@hotmail.com

  6. oi jef ! sou sidilea cecim filha de ovidio cecim fiquei muito feliz de ler a historia de nossa familia bjs msn da minha filha:gabriela.cecim97@hotmail.com

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