OS SEGREDOS DO TEMPERO DOS ABDELNOR

Marlene Abdelnor, proprietária do restaurante kafka's

Marlene Abdelnor filha de libaneses que chegaram ao Brasil em 1930, deixando para traz sua Terra natal: -“entre morrer lá, a melhor saída era essa, não é que eles estavam negando sua pátria eles estavam querendo sobreviver, minha mãe veio com 9 anos e ela não era da Síria era de Damasco e escolheram o Brasil, Amazônia e Belém por que os Libaneses sempre foram fissurados por ouro… lá chegou a noticia de que aqui tinha muito ouro eles vieram conhecer o ouro… e onde tinha mais facilidade de possuí-lo era em Belém do Pára… nem todos encontraram ou conheceram…” .

 O fato de não conseguirem o ouro fez com que os recém chegados se estabelecem na cidade e buscassem outras formas de sobrevivência: “…aí vieram ser mascates, isso eles sabem fazer muito bem, aqueles que já tinham o comércio na sua tradição… O mascate é aquele que bate de porta em porta e viaja pelo interior para vender, também conhecido como caixeiro Viajante.”

Para Marlene a maior dificuldade de adaptação encontrada por sua família foi a alimentação e o clima, por serem acostumados ao pais de clima frio de cidade montanhosa. Durante o dia graus 50 positivos a noite 50 negativos:

“Até se adaptar com a cultura da carne de boi pois aqui não existia a cultura do carneiro… tiveram que plantar em casa suas verduras e legumes para alimentar a família”.

Seus pais ensinaram a cozinhar, os dois conheciam a culinária árabe: “…a Vóvó morou 15 anos em casa, sabia fazer a comida árabe, trouxe de tudo desde o pilão para bater a carne do Kibe …naquela época não tinha moedor. Na minha casa era tradição fazer diariamente comida árabe, tanto é que já vim comer feijoada depois de grande, meu pai só comia comida fresca, nada de salgado ou enlatado”. 

Sobre a arte da culinária não existe segredos para sua família até hoje: “A comida árabe em casa é repassado no dia-dia, ninguém vem sabendo, aprendem em casa com paciência… você tem que fazer e ensinar para outra pessoa fazer pra você”. Segundo Marlene o importante no preparo das receitas é a qualidade dos produtos, senão tudo desanda:

 “a procedência é muito importante não dá pra improvisas ex: a farinha do kibe não pode ser outra… a melhor receita é fazer tudo com amor e dedicação… quando eu preparo tenho que pensar com fosse pra mim.” 

Além dos ingredientes a proprietária do Kaftas acredita que existe a mão boa para o preparo no qual cada um tem sua maneira de fazer mesmo, usando o mesmo ingrediente, tem que dar aquele toque até chegar ao ponto certo da comida e fazer o diferencial. Mais importante ainda é deixar o cliente satisfeito isso enche o coração da chefe de cozinha, que não abre mão da cebola e do hortelã no preparo de seus pratos. Segundo ela a “alma do tempero da carne, tudo com bastante azeite”.

Os temperos as verduras e legumes são comprados no Ver-o-Peso “onde encontra tudo fresquinho e com mais qualidade”. A idéia de abrir um restaurante veio por um acaso é uma paixão e uma forma de manter uma tradição, pois sua maior renda esta no ramo da imobiliária onde atua como corretora de imóveis, profissão que adora e se orgulha:

“ faço a comida árabe desde criança e estou mantendo o negocio já tem sete anos, sigo a risco as receitas. Minhas poucas adaptações não modificaram o sabor, no caso da castanha – do- pará é muito gostosa, melhorei o sabor do charuto de repolho, substitui a folha da parreira pela vinagreira que á tipicamente paraense”. Marlene acrescenta:

“… as pessoas que freqüentam o restaurante têm uma cultura elevada, viajam bastante, conhecem outros restaurantes libaneses e geralmente pertence à classe média alta”. Marlene nasceu em Belém, a exemplo dos pais sua religião é o catolicismo “meu pai assimilou a cultura paraense pela religiosidade e minha mãe também”.

A descendente absorveu da cultura paraenses o culto a nossa Senhora de Nazaré e a tradição comer vatapá e caruru, casou-se com um paraense mesmo contrariando o pai que, queria arranjar casamento para todas as filhas para manter a tradição libanesa:

 “Ser mulher no Líbano é ser mais tolhida de sua liberdade que no Brasil, lá a mulher é mais submissa ao marido aqui a mulher tem mais liberdade. Não é possível manter sempre a tradição árabe, não da para seguir arrisco os preceito é outro lugar e como as roupas não dá para usar véu no clima daqui”.

Segundo a tradição no Líbano os casamentos devem ser arranjado entre as famílias: “ os homens libaneses só querem casar com as mulheres libanesas para manter a tradição, querem filhos puros, o pai e a mãe devem escolher a mulher que vai casar com o filho” é diferente dos brasileiros os quais olham para todas as mulheres sem fazer distinção”.

Marlene não compreende por que a comunidade libanesa é muito fechada e não se encontra como em São Paulo: “ aqui temos o Monte Líbano e não vejo as famílias se reunido, não vejo se reunirem no clube para almoçar e se confraternizar no clube acho que é porque as mulheres cozinham em casa”. A libanesa de pai e mãe, como se define Marlene, diz que o maior ensinamento da convivência com a família e a cultura libanesa foi ser honesta. Finaliza falando da paixão pelo Líbano que herdou dos pais: “… tenho vontade de ir para o Líbano e não voltar mais…ficar na minha terra natal…Fico muito triste com as noticias sobre a guerra em saber que meus irmãos estão morrendo…”. Kafta’s Cozinha Árabe Uma tenda no teto e aplicações de tecidos nas paredes, em tons de verde, vermelho e dourado, indicam a especialidade. Descendente de libaneses, Marleny Abdelnor aplica o conhecimento culinário da família na confecção de pratos.

texto de Cleice Maciel, aluna do curso de licenciatura em teatro e bolsista Pibic-CNPQ

~ por Karine Jansen em Novembro 13, 2009.

Uma resposta to “OS SEGREDOS DO TEMPERO DOS ABDELNOR”

  1. Bom dia, me chamo Elane Pacheco, sou de Marabá, da Secretaria Municipal de Educação, e estamos entrando em contato pra verificar a possobilidade de uma pequena biografia e uma foto do Sr Eduardo Abdelnor, pois o Sr Eduardo foi aqui em nossa cidade o promeiro secretário de educação e gostariamos de prestar homenagens com uma galeria onde a foto do sr. Eduardo se faz nescessaria para devidas homenagens. agradecemos e por favor entrem em contato. elanep@hotmail.com ou 94 3321 1902 94 9193 7864 Elane

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