Culinária árabe na vida dos descendentes libaneses

 

 
 
 
 

temperos árabes industrializados

 

Fragmentos retirados de entrevistas por Cleice Maciel

  

“Lembro da casa da vovó, na rua 03 de maio com a av. independência, do outro lado da rua morava tio Oswaldo e tia Vigica e tinha ainda a casa de tia Antonieta. Aos sábados, os tios e tias iam para casa da vovó, inclusive tio Orlando para comer comida árabe. Tinha de tudo! Até hoje, ninguém faz homus como a vovó! E nem picadinho como tia Olinda”…” eu não cozinho a comida árabe, pois é muito trabalhosa, precisa de um certo ritual, mas eu e meu pai freqüentamos os restaurantes árabes, aqui em Belém e em São Paulo! Aqui freqüento o Kafkas.”

                                                                Oriana Bitar

Gostava de guardar dinheiro e de alimentar muito bem sua família…por falar nisso,minha mãe conta que,ele gostava de guardar os alimentos mais gostosos em uma geladeira movida à querosene

                                                                      Claudilene Paiva 

“Libanês tudo aventureiro, só no Brasil tem dez milhões de libaneses, fora o que esta  espalhado  pelo mundo, se voltar para Líbano não cabe tudo lá, tem que ter uns três Líbanos…”

A comida árabe é aceita no mundo todo e o que  já foi adaptado é usado mundialmente pode mudar o nome mas, o cardápio á o mesmo, assim como se encontra a pizza, a comida japonesa se encontra o a comida árabe…  Foi difícil achar os temperos? O que muda, por exemplo: os charutos de uva que vendem no mundo para os que vendem no Líbano?… Nos trabalhamos com o artesanal, fazemos na mão como é lá. O que muda as vezes é a quantidade do alho o povo daqui come menos alho que o de lá, as verduras por exemplo lá eles comem mais, muito picles o pessoal aqui não gosta, que nem pimenta o pessoal aqui passa mal se carregar, tem que adaptar ao clima ao ambiente.”

                                                                              Najm Forad

“Meu pai sempre me apresentou a cultura libanesa, desde criança, sempre comi comida árabe, comecei a ler sobre a religião e cultura é tudo bem diferente. Minha mãe e minha avó são paraenses eu também me sinto, papai é o único árabe. Desde menor almoço árabe e janto comida árabe.”

“A comida, o tempero é mais presente ! tem temperos que cv não consegue distinguir qual é e a forma de pensar . O que é diferente da gastronomia paraense? O tempero árabe é mais forte o sabor é mais exótico, se pudesse comeria grão de bico com farinha, mas, não combina.”

                                                                                Karim Gelia

  

  • “…sou libanesa de pai e mãe só nasci aqui, tenho sangue puro, brasileira só de coração…a partir de mim não sei quem daria continuidade no preparo das receitas na  família… quando querem vem a mim … os sobrinhos dizem: “ tia só tu que sabes fazer”.

“Até se adaptar com a cultura da carne de boi pois aqui não existia a cultura do carneiro… tiveram que plantar em casa suas verduras e legumes para alimentar a família”.Seus pais ensinaram a cozinhar, os dois conheciam a culinária árabe: “…a Vóvó morou 15 anos em casa, sabia fazer a comida árabe,  trouxe de tudo desde o pilão para bater a carne do Kibe …naquela época não tinha moedor. Na minha casa era tradição fazer diariamente comida árabe tanto é que já vim comer feijoada depois de grande, meu pai só comia comida fresca, nada de salgado ou enlatado”.

“A comida árabe em casa é repassado no dia-dia, ninguém vem sabendo, aprendem em casa com paciência… você tem que fazer e ensinar para outra pessoa fazer pra você”. Segundo Marlene o importante no preparo das receitas é a qualidade dos produtos, senão tudo desanda: “a procedência é muito importante não dá pra improvisas ex: a farinha do kibe não pode ser outra… a melhor receita é fazer tudo com amor e dedicação… quando eu preparo tenho que pensar com fosse pra mim.”

                                                       Marlene Abdelnor

 

 

“…Reunia pra comer e falar alto…não tinha felicidade assim de rir, gargalhar….Não podia comer sem camisa…tinha muita regra.Eu adorava ver minha Avó cozinhar, um dia era lentilha ,toda terça grão de bico com berinjela, aos domingos era religioso kibe cru….ela socava,socava, socava  a carne,fazia coalhada. Almoçávamos juntos o tempero que marca minha família é canela, cebola e sal eram quilos e quilos de cebola crua para um monte gente… Tenho a sensação de que era  uma família fugitiva …por muito tempo eu não queria ter essa cultura, me doía muito isso….principalmente não ter essa alegria de brincar de rir e contar piadas…”

  “…Não podia comer sem camisa… tinha muita regra… eu adorava ver minha Avó cozinhar… um dia era lentilha, toda terça grão de bico com berinjela… aos domingos era religioso kibe cru…. ela socava, socava, socava  a carne, fazia coalhada. Almoçávamos juntos.. o tempero que marca minha família é canela, cebola e sal eram quilos e quilos de cebola crua… era um monte gente…”

  “…meu tio Zuza, o mais velho, uma história  impressionante, ele casou e nunca comia da comida da esposa dele, até a minha Avó morrer ia comer almoçar e jantar com ela, por muito tempo foi a grande magoa da minha tia e mesmo depois da vovó  as irmãs  mandavam comida pra ele…”

                                                                        ANIBAL PACHA

 

  • Quis aprender a cozinhar e servir às visitas, azeite, alho,  sal, cor, cheiro e gosto da serenidade do vovô, segredo perto do coração. Quis mexer com a mão, sem muitas ferramentas… Uns recusavam o kibe cru, outros o provavam como exótico, e eu prestava mais atenção em mim nestas horas, por achar o sabor tão natural. Presenteava amigos com saquinhos de zatar, nossa jóia em tempero. Dei um ao meu companheiro, ele atentou: “É como se me trouxesse um pedaço da sua casa”. Meu paladar é meu avô e meu Líbano…

                                                     Natália Abdoul Khalek

 

…”Se está sempre falando, debatendo as origens por aqui. Os mesmos que dizem “Mas nós nunca fomos árabes árabes”, “Esquecemos quase tudo, não preservamos”, são os que rasgam o pão e o passam no prato com azeite de oliva. A visita fica olhando, eles explicam: “Árabe come assim”…

  •“…havia um ritual do pão nas reuniões de família: as mulheres o passavam de mão em mão, estendiam-no ao máximo, então era colocado Em forno côncavo e assado rapidamente, depois dobrado até ganhar o tamanho de um livro. Açúcar, arroz, alfaiate, alcachofra, palavras do português, são de origem árabe.”                                                Natália Abdoul Khalek

 

~ por Karine Jansen em Novembro 20, 2009.

2 Respostas to “Culinária árabe na vida dos descendentes libaneses”

  1. Bravo !!!

  2. Reblogged this on Brasileiramente, Árabes!.

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