O comércio na memória dos descendentes de libaneses

mascate

….Chegando, já casado, em Belém, e devido a diferença de idade e serem imigrantes, eles ficaram detidos dois dias na ” aderaneira”, em seguida foi liberado residindo algum tempo no hotel América, na esquina da João Alfredo com a avenida Portugal. Seguiram, depois para Castanhal, passados alguns meses, vindo estabelecer-se em Belém.
Em 1921 instalou o comércio de varejo “CASA AMERICANA”, onde constituiu sua familia formada por oito filhos, sendo seis mulheres: Fátima, Zena, Avia, Lucy, Linda e Damia e dois homens José e Elias. Assad Elias Assad Gorayb fundou a firma A. Gorayeb & Cia., no mes de julho de 1921. ainda hoje administrado por seus descendentes e permanecendo na estrutura do imóvel.
Adquiriu o imóvel através do emprestimo pela Caixa Economica Federal com a ajuda financeira do banco do estado do Pará. Hoje, o predio é tombado pelo patrimõnio histórico.Assad Elias Assad Gorayeb faleceu em 01 de setembro de 1957 e Zehde em 20 de julho de 1977”.
Lucy Gorayeb Mourão

Felix Rocque “… Com seu arrojo, sacudiu a cidade, transformou a Festa de Nazaré, modelando-a a seu estilo. Fora da festa, em seu Palace Casino (no extinto Grande Hotel) centralizou a vida social de Belém, apresentando shows que nada ficavam a dever aos centros mais evoluídos.” “… Para exibir Beatriz Costa, Felix construiu, em 6 dias, o Teatro Coliseu, para 2.000 pessoas.” “ … Trouxe também Orlando Silva, o “cantor das multidões”… o Augusto Calheiros… a mais popular dupla de cômicos do Brasil, Jararaca e Ratinho; outro cômico de renome, o Jorge Mudar, que se celebrizara com suas imitações de libanês .”

Dulce Rocque

Lá ele compra uma taberna de uma viúva e constrói seu primeiro comércio completo: a Mercearia São Jorge, com aviamentos, armazéns de estivas, armazém de cachaça e farmácia. Compra canoas a vela para vir até Belém vender milho, farinha, algodão e comprar tudo o que vendia na mercearia também. Lembro que meu pai contava que às vezes eles vinham de trem de Bragança até Belém pra comprar e pagar as mercadorias. Desciam na estação em São Brás, onde fica a rodoviária agora, e de lá seguiam em caminhos , passando pelo igarapé das almas, a doca do reduto e ver-o -peso e lá ficavam uns dias esperando as embarcações para levar as mercadorias…….. Isso é o que sei de meu avô, relatado pelo meu pai. Sei também através de minha mãe que todos os comércios que meu avô montou para os filhos homens “eles jogaram tudo no mato com mulheres”. Ou como minhas tias “os manos não tinham trato com o comércio, meu pai era que tinha..eles não herdaram o dom” RS!. Não sei até que ponto era verdade, sei que meu pai adorava um rabo de saia… Como meu avô. RS!

Jef Cecim

A idéia de abrir um restaurante veio por um acaso é uma paixão e uma forma de manter uma tradição, pois sua maior renda esta no ramo da imobiliária onde atua como corretora de imóveis, profissão que adora e se orgulha: “ faço a comida árabe desde criança e estou mantendo o negocio já tem sete anos, sigo a risco as receitas. Minhas poucas adaptações não modificaram o sabor, no caso da castanha – do- pará é muito gostosa, melhorei o sabor do charuto de repolho, substitui a folha da parreira pela vinagreira que á tipicamente paraense”. Marlene acrescenta: “… as pessoas que freqüentam o restaurante têm uma cultura elevada, viajam bastante, conhecem outros restaurantes libaneses e geralmente pertence à classe média alta”.

Marlene Abdelnor

“As histórias contadas e recontadas, por mulheres ligadas a cultura libanesa, estão impregnadas nas lojas do centro comercial de belém, nas ruas da cidade velha, e em muitos outros lugares, pequenos vilarejos dos arredores da capital belemense, a exemplo de uma cidadezinha chamada São Domingos do Capim. É tembém de lá que vem minha família… Avós Maternos: João Yagupe Daibes e Benedita Leon Yara, ambos filhos de libaneses; Yagupe Daibes Hamouch e Salomão Leon Yara (Iara), estes vieram para Belém em situação de tanta semelhança, em busca de trabalho, expansão dos negócios e empurrados pelos conflitos que se instalaram no Líbano

Maridete Daibes

Nossa história no Brasil começa com a migração de José Chaar (nome adotado nestas terras, seu nome árabe era Naaman Chaar), durante o primeiro ciclo da borracha. Ele se fixa no Acre, como mascate. E atravessava à Bolívia para tentar a sorte no jogo. Antes deve ter passado por outros Estados, talvez pela Paraíba, é de lá minha bisavó Josefa (alguns dizem que era piauiense). José tornou-se seringalista, e como era comum na época entre os “homens de posse”, mudou-se para um casarão em Belém. Tiveram seis filhos, entre eles minha avó Charife, que não cheguei a conhecer, de quem mais ouço falar. Uma gente que se espalhou por muitos cantos, gerou muitos ramos, às vezes a impressão é de todo libanês ser meu primo, do Acre a São Paulo.

Natália Abdul Khalek

~ por Karine Jansen em Novembro 25, 2009.

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