FATLA – DEPILAÇÃO COM LINHA COMO PRÁTICA PERFORMÁTICA

Domingues, realiza depilação com linha

Domingues trabalha há dois anos com depilação com linha, uma das técnicas de cuidado com o corpo, inventadas, ou melhor, criadas pela cultura árabe e que hoje é utilizada de forma comercial por não árabes. Domingues, não é árabe, nem libanês, é um trabalhador em um Salão de Beleza em Belém do Pará. Ele adquiriu a técnica de depilação por linha por necessidade de aperfeiçoamento e crescimento na profissão.

“Conheci a Patrícia que freqüentava o salão e ela sabia fazer a depilação, observei, pedi orientações e aprendi! Ela ensina muita gente…”. Domingues continua: “A maior vantagem deste trabalho, é que ele não agride a pele, como a cera”.

Pelas lembranças de Domingues, Patrícia, a mestra que lhe repassou a técnica, aprendeu a técnica em São Paulo, em um dos cursos de aperfeiçoamento que realizou. Domingues não conhece as origens da técnica apenas a domina com a precisão necessária. “ tenho muitas clientes, mas por enquanto faço mais o rosto, mas estou me preparando para também trabalhar com a perna, precisa de uma linha mais grossa e um tempo muito maior que a depilação por cera , por exemplo. No geral, as pessoas fazem por indicação de amigas, ou por tentar técnicas que não agridam a pele, algumas pessoas têm alergias. Depois, todos desejam ficar bonitos mesmos, homens e mulheres, independente querem sentir-se cuidados, atraentes e bonitos”.

O nome do salão é Yanna, esta grafia, em um primeiro momento, nos remete a cultura árabe, mas a dona do estabelecimento, e também dona do nome, esclarece que nada tem relação seu nome com a cultura, Wlad Lima, também cliente do salão me adverte: “Yanna é indígena!”

Portanto, foi apenas uma coincidência seu estabelecimento oferecer a Fatla –depilação com linha- e ter o nome Yanna, contudo este salão, ou casa de estética, um dos pouquíssimos em Belém, hoje executa uma prática performática de cuidado com o corpo, criada pelo povo árabe, e mesmo sem pertencer a esta teia de significações orientais, passo a considerá-lo nesta pesquisa, como um ponto entre culturas, uma pratica de interculturalidade, nesta fenda entre culturas. Melhor dizendo, como um aspecto que proporciona o contato entre duas culturas em valores de beleza, higiene, cuidado com o corpo, e ao mesmo tempo contrapondo-se as primeiras informações de que é uma exclusividade da construção feminina. Pelo menos neste ponto intercultural do Salão Yanna, esta é uma prática brasileiramente, árabe! entretanto a questão que se coloca é será uma pratica dos descendentes de libaneses, ou não é uma técnica que se fortalece por questões do mercado?

~ por Karine Jansen em Dezembro 15, 2009.

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