DOIS IRMÃOS, ADAPTAÇÃO PARA O TEATRO

O Centro Cultural Banco do Brasil

apresenta

DOIS IRMÃOS

ESPETÁCULO TEATRAL, ADAPTAÇÃO LITERÁRIA

 

Primeira adaptação teatral de um romance do premiado escritor Milton Hatoum,

peça dirigida por Roberto Lage estréia em 14 de agosto, no CCBB – SP

“Sob uma grande seringueira, contaremos esta linda saga dividida entre a cidade de Manaus e sul do Líbano.”

A conturbada trajetória dos gêmeos Yaqub e Omar, na Amazônia, durante o regime militar é contada pelo escritor manauense Milton Hatoum no romance Dois Irmãos, lançado em 2000, vencedor do Prêmio Jabuti, como dois outros livros do autor, Relato de Um Certo Oriente (1989) e Cinzas do Norte (2005).

Eleito por críticos literários como o melhor romance brasileiro dos últimos quinze anos, Dois Irmãos, é a primeiro texto de Hatoum que chega ao teatro, adaptado por Jucca Rodrigues, com direção de Roberto Lage.

O espetáculo estréia em 14 de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo, tendo no elenco Imara Reis, Luiz Damasceno, Vivianne Pasmanter, os irmãos Jiddu Pinheiro e Gabriel Pinheiro como Omar e Yaqub, Tatiana Thomé, Bete Correia e Rodrigo Ramos.

Na equipe de criação, Paula Valéria (figurinos), Davi de Brito e Vânia Jaconis (iluminação), Alexandre Toro (cenário) e Aline Meyer (trilha sonora). Direção geral de produção de Alexandre Brazil, gestão de produção pelo Escritório das Artes. Uma realização do Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo.

A História

A história acontece em Manaus e traz na trama central a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. O menino Omar, num gesto movido por um ciúme quase infantil, rasga o rosto de seu irmão gêmeo Yaqub com uma garrafa. Esta briga entre os irmãos leva Yaqub para um exílio forçado no Líbano. O pai Halim queria enviar os dois para o Lìbano, mas Zana insistiu que Omar, sempre visto como o mais frágil dos dois, ficasse. Yaqub retorna à Manaus em meados dos anos 40, e à partir daí traça e segue à risca seus planos: muda-se para São Paulo, a contragosto da mãe, forma-se engenheiro e casa-se, ao passo que Omar, ainda sob as asas protetoras da mãe, passa os anos em meio a festas, bebedeiras e mulheres.

Há um personagem que só se revelará ao longo da história: Nael. Domingas, mãe de Nael, é a empregada da família. Ela foi violentada por Omar na mesma época que viveu uma relação com Yaqub. É Nael quem nos conta toda a história. Espectador privilegiado, reconstitui no labirinto da memória os detalhes de tudo que viu e ouviu, juntando as peças de um mosaico na tentativa de descobrir a sua identidade entre os homens da casa.

Dois Irmãos no teatro, para o escritor Milton Hatoum

Milton Hatoum, autor do romance Dois Irmãos, diz ter se surpreendido ao assistir a um ensaio da peça: “Quando escrevi o romance não pensei que poderia ser adaptado ao cinema nem ao teatro, linguagens diferentes que exigem trabalho de equipe. O romance é apenas uma fonte de inspiração e de sugestões para a peça. O texto de Jucca Rodrigues, ao optar por recortes significativos do romance, deu densidade às cenas mais dramáticas, respeitando o jogo temporal da ficção. Me emocionei em vários momentos do ensaio. Tudo surpreende quando se trata de uma peça, pois é outra linguagem. Procuro tomar distância. Sou apenas um espectador apaixonado pelo teatro”.

Hatoum continua: “Admiro há muito tempo o trabalho de Roberto Lage, diretor que privilegia o teatro narrativo. No ensaio a que assisti, me impressionou a direção e o desempenho dos atores. Reconheci as linhas de força do drama familiar. Ouvir a voz dos personagens e vê-los no palco é uma experiência diferente da leitura solitária. Eles vivem no palco o que o leitor apenas imagina nas páginas do livro. Agora cabe ao espectador dar a palavra final sobre a peça”.

Milton Hatoum nasceu em 1952 em Manaus. Filho de imigrantes libaneses, mudou-se aos 15 anos para Brasília, onde concluiu o secundário. Em 1970, mudou-se para São Paulo, ingressando no curso de arquitetura e urbanismo na Universidade de São Paulo (USP). Nos anos 80, morou em Madri e Barcelona e fez pós-graduação na França, na Universidade Paris 3. De volta a Manaus, lecionou língua e literatura francesa na Universidade Federal do Amazonas.

Em 1988, ganhou bolsa da Fundação Vitae para escrever seu primeiro romance, Relato de um Certo Oriente, publicado no ano seguinte. Na década de 1990, morou alguns meses na França e foi professor visitante da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Em 1998, tornou a se estabelecer em São Paulo, onde se doutorou em teoria literária pela USP. Depois de publicar contos em jornais e revistas do Brasil e do exterior, lançou Dois Irmãos (2000) e Cinzas do Norte (2005).

Com os três primeiros livros, Hatoum ganhou três vezes o Prêmio Jabuti de melhor romance (em 1990, 2001 e 2006), um dos mais importantes prêmios literários nacionais. Sua obra mais recente é Órfãos do Eldorado (2008), publicado pela Companhia das Letras, assim como os anteriores. Hoje, Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos encontram-se traduzidos em diversos idiomas.

Um pouco sobre o trabalho de Roberto Lage na peça Dois Irmãos

Para esta montagem, Roberto Lage escolheu o viés do teatro narrativo. “Acredito que o teatro narrativo seja um fenômeno mundial. Vejo nele a oportunidade para o teatro resgatar seu papel de contador de histórias diante do dinamismo de mídias como TV, cinema e internet”.

Sua proposta para o espetáculo é criar “um jogo vivo” com o público. Fragmentos da história são dramatizados e ligados por fios narrativos: “Os contadores são os próprios personagens, numa estrutura que permite ao espectador sentir-se dentro da trama, numa relação de igualdade com os personagens”.

Cenários, luzes e figurinos são simples ao mesmo tempo em que cumprem papel essencial. Especialmente em relação ao cenário, a montagem enfrenta o desafio de traduzir a exuberância da Amazônia em um palco evitando a representação realista. Para isso, o cenógrafo Alexandre Toro criou painéis que, dependendo da luz, ora remetem a elementos da selva, ora a signos mouriscos. Além da presença de uma enorme raiz de seringueira no palco.

Lage acredita que os deuses do teatro conspiram a favor da montagem, uma vez que rapidamente a iniciativa reuniu fatores desejáveis, porém de difícil conciliação no mundo do teatro: o projeto aprovado por leis de incentivo cultural, o patrocínio do Banco do Brasil, a disponibilidade da sala do CCBB, o surgimento dos direitos adquiridos pela atriz Bete Correia de um texto que Lage já conhecia e amava, sem falar no elenco.

Por exemplo, só depois de escolhidos os irmãos Jiddu e Gabriel Pinheiro para os papéis centrais é que o diretor soube que eles são de Belém (PA) e, em razão dessa origem, têm familiaridade com os valores indígenas e a cultura regional.

Nascido em São Paulo em 1947, Lage é um dos realizadores mais profícuos do teatro brasileiro. Já dirigiu mais de 130 espetáculos desde que aderiu ao teatro, no início dos anos 60. Trabalhou com os mais variados gêneros, passando por teatro infantil e adulto, teatro amador, universitário, experimental, teatro de grupo, produções comerciais, ópera e outros. Também já recebeu importantes prêmios.

Destacam em sua carreira as montagens À Flor da Pele (1976), de Consuelo de Castro; Besame Mucho (1982), de Mario Prata; Escola de Mulheres (1984), de Molière; Meu Tio, o Iauaretê (1986), de Guimarães Rosa e Namoro (1991), de Ilder Miranda da Costa. Nos anos 90, foi aplaudido em Portugal, onde dirigiu, em diferentes oportunidades, Para Tão Longo Amor, de Maria Adelaide Amaral; Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues; e A Ópera do Malandro, de Chico Buarque.

Em 1999, fundou, com Celso Frateschi, o Ágora, Centro para o Desenvolvimento Teatral, que promove atividades de aperfeiçoamento de atores e que propõem reflexões sobre o fazer teatral. Desde o ano 2000, já montou textos de Plínio Marcos, Maquiavel, Pasolini, Camus, Duras e muitos outros.

O dramaturgo Jucca Rodrigues

A adaptação do texto de Dois Irmãos para o teatro ficou a cargo do dramaturgo Jucca Rodrigues, que define seu trabalho como um “imenso e apaixonante desafio”. Ele optou por contar a história sem linearidade ou narrativa cronológica, tal como o original de Milton Hatoum.

Este é o primeiro texto de Jucca a ser montado. O dramaturgo, que ministra oficinas de teatro, conhece Roberto Lage há cerca de oito anos e juntos já realizaram vários trabalhos. Para Jucca, grande parte de seu conhecimento sobre teatro se deve à participação no centro Ágora.

Dois Irmãos – Equipe de Criação

Elenco – Imara Reis (Zana), Luiz Damasceno (Halim), Vivianne Pasmanter (Domingas), Jiddú Pinheiro (Omar), Gabriel Pinheiro (Yaqub), Tatiana Thomé (Rânia), Bete Correia (Lívia), e Rodrigo Ramos (Nael).

Ficha Técnica – Direção geral: Roberto Lage / Adaptação para o teatro: Jucca Rodrigues / Figurinos: Paula Valéria / Iluminação: Davi de Brito e Vânia Jaconis / Cenário: Alexandre Toro / Trilha Sonora: Aline Meyer / Direção Geral de Produção: Alexandre Brazil / Gestão de Produção: Escritório das Artes

DOIS IRMÃOS – Serviço

Estréia: 14 de agosto de 2008, quinta-feira, às 20h (apenas para convidados)

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo – Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652 – http://www.bb.com.br/cultura)

Horários: quintas, sextas e sábados, às 19h30, e domingos, às 18h

Temporada: de 15 de agosto a 05 de outubro de 2008.

Duração do espetáculo: 100 minutos.

Lotação: 125 lugares

Classificação etária: 14 anos.

Preços: R$ 15,00 e R$ 7,00 (meia-entrada)

Horário de funcionamento da bilheteria: das 10h às 20h

Ingressos antecipados: http://www.ingressorápido.com / (11) 2163-2000

Aceita cartões de crédito Visa ou Mastercard, cheque ou dinheiro

Clientes do Banco do Brasil pagam meia-entrada apresentando o cartão do Banco na bilheteria.

~ por Karine Jansen em Dezembro 29, 2009.

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