Dança do ventre não é tudo igual


Nadia Gamal

Nadia Gamal

 

A dança do ventre no Líbano possui algumas semelhanças com o Estilo Egípcio, utilizando-se muitas vezes das mesmas músicas árabes e de referências culturais, embora baseie-se geralmente na dança folclórica libanesa. A dança do ventre libanesa pode incluir complexos movimentos em seus padrões. A dançarina realiza intrincados movimentos de abdômen, quadril, com próprio modo de andar, além de movimentar elegantemente os braços, principalmente quando dança no estilo clássico, que possui muita semelhança com a Era de Ouro do Estilo Egípcio.

O estilo de dança do ventre libanês mais atual foi fortemente influenciado pela dançarina Nadia Jamal, que experimentou algumas fusões mais modernas incorporando elementos da dança ocidental em suas apresentações posteriormente. Depois dela, muitas dançarinas libanesas decidiram usar salto alto em suas perfomances, além de darem mais ânimo e energia às suas apresentações, deixando-as mais descontraídas. Alguns nomes muito conhecidos na dança do ventre libanesa incluem Kawakib, dançarina clássica; Suha Azar, dançarina contemporânea que ensina e dança no estilo clássico; Nadia Jamal, uma pioneira na fusão teatral da dança do ventre libanesa; e as representantes mais atuais, Amani, Samara, Dina Jamal e Maya Abi Saad.
 
 
 
 
 
Demorei, mas voltei!
 texto retirado do blog de Luciana Sabbag
 
 
Madeleine Iskandarian, nasceu em Belém, na Palestina. Criou-se em Aleppo, na Síria, e em Beirute, no Líbano.      De ascendência armênia  , dançava desde os sete anos em festas, tendo aos nove se apresentado para o Rei Abdallah da Jordânia. Casou-se na Síria e se mudou para o Brasil, onde teve seus dois filhos Margarida e Richard. Tem como luta a valorização da arte a desligando da vulgarização. No ano de 1979, Shahrazad Sharkey passou a se apresentar na tenda árabe “Bier Maza”, cantando e dançando o “Raks el Sharki”. Sempre se apresentando com roupas suntuosas, contou em suas apresentações com ilustres pioneiros da musicalidade árabe, como o alaudista Wadi Koury/Cury e o percussionista libanês Fuad Calil Haidamus (o pioneiro da percussão árabe no Brasil). Naquela época, haviam dois restaurantes em São Paulo que apresentavam shows de dança do ventre e música árabe ao vivo, eram eles: o Bier Maza e o restaurante Porta Aberta que eram freqüentados por toda a Colônia Árabe de São Paulo.

 

Se você já teve a curiosidade de ler meus posts mais antigos, deve ter reparado no tamanho da minha paixão pela minha ascendência…

Sou descendente de libaneses por parte de pai E de mãe e, obviamente, a cultura libanesa está muito presente em minha vida.

Passei a infância brincando de bailar a dança do ventre, comendo lábani da vovó, me empanturrando de charutinho nos almoços de família e ouvindo meus parentes me chamarem de “turquíííínia liiinda”. Aprendi a fazer esfiha ainda com a mamãe e a ouvir Fairuz com os Abuchalla Naufal (parte da família do papai). Sou leitora da Revista Chams desde pivete (até fui jornalista de lá por 2 anos, antes de entrar na Ketchum), frequentei a Catedral Ortodoxa e sou fã assumida do meu querido amigo e cantor Jihad Smaili.

Meu amor pela cultura libanesa só aumentou com o tempo. Na adolescência, eu procurei aperfeiçoar minha maneira de dançar e me matriculei em uma escola de Dança do Ventre. Aí veio a questão: estou aprendendo a dançar com brasileiras (em sua maioria com formação em jazz ou balé) que aprenderam a Dança do Ventre sabe-se lá com quem.

“No passado (…)supõe-se que a Dança do Ventre tivesse caráter informal de aprendizagem. Ou seja, não havia escolas que ensinavam a dançar, fato que é muito diferente do que ocorre hoje. Tampouco havia preocupações quanto à sua técnica, quanto à sua forma de realização. Era basicamente uma dança de caráter sagrado praticada somente por mulheres, nas quais umas aprendiam com as outras informalmente, não necessitando de aulas para tal”.

Luciana Sabbag

Eu dançava sem vergonha nenhuma sempre que ouvia o som do Derbake: sentia a música soar dentro de mim e me deixava levar pelo ritmo…

… Até começar a fazer aulas!

Técnica. 1, 2, 3, 4. Tum-tá-ká-tá. Oito pra cima, oito pra baixo, camelo invertido, schimid…

Comecei a me preocupar com o certo, em fazer direito, em não esquecer os passos… Resultado: regredi na dança.

Eu não sentia mais a música. Ouvia-a e tentava encaixar tais passos na coreografia. Coreografia? Pra quê?

 

 

 

 

primordios da dança do ventre

 

“(…) Em sua origem a Dança do Ventre não era coreografada. Ela era uma dança improvisada, que surgia de acordo com os sentimentos, criatividade e reverência no momento de sua execução”.

Comecei a ficar parada nas festas árabes. Ao invés de dançar a noite toda como eu fazia, sentava-me numa cadeira qualquer e observava. Tinha vergonha, medo de dançar “errado”.

Depois de 3 anos estudando a Dança do Ventre, resolvi parar. Era hora de voltar às minhas raízes e dançar como eu fazia com minhas amiguinhas muçulmanas… Sem regras, sem técnica.

Motivos maiores fizeram-me parar de frequentar essas festas. Fim de namoro, fofocas, xiitas machistas, desfile de roupas, mulheres vulgares… Melhor ficar em casa!

Um ano e meio se passou e eu vi que estava deixando de lado a minha cultura, por causa dos outros! Outra influenciazinha básica veio do meu ex-namorado, libanês e eterno amigo que, em um de nossos passeios pela cidade, ligou o rádio, em alto e bom som, com um lindíssimo Dabke e me fez dançar com ele dentro do carro, de vidros abertos… Me bateu uma saudade tão grande, mas tão grande da época em que eu era ligadíssima à cultura, que decidi: “Volto pra Dança do Ventre ainda esta semana!”.

Demorei uma ou duas semanas, mas voltei! É… voltei para as aulas de Dança do Ventre. Mas muito será diferente desta vez: não vou me importar com coreografias, não vou me apresentar nas “formaturas de módulos” e não vou gastar dinheiro para ter uma roupa nova por mês. Também não vou dar ouvidos às fofuras que só querem exibir que sabem “tudo” sobre a cultura. Elas podem até conhecê-la, eu vivi nela.

E vou continuar defendendo minha visão da Dança do Ventre: há um ritual em dançá-la, uma espiritualidade, um mistério… Não gosto de mulheres que vulgarizam a dança, fazem cambrê em cima de mesas de bares, esfregam quadris e peitos nos rostos famintos de homens tarados… Aliás, não gosto de homem que acha que a Dança do Ventre é a dança do acasalamento e se excita ao ver o menor tremido de quadril. Não gosto da erotização da dança.

” Com movimentos ondulatórios e batidos de quadril, as mulheres reverenciavam a fertilidade, celebravam a vida. Ou seja, tratava-se de uma dança ritualística, em caráter religioso, sem apresentações em público. Essas mulheres reverenciavam as deusas que acreditavam ser as responsáveis pela vida da terra, pela vida gerada no ventre da mulher, e pelos ciclos da natureza. Há quem diga que ao dançarem as mulheres também se preparavam para ser mães, já que a movimentação da Dança do Ventre ajudava a fortalecer a região pélvica, facilitando o parto”.

Deu pra entender? Não gosto da deturpação das coisas…

Eu voltei. Mas voltei diferente.

 

texto retirado do blog da Tina -dança do ventre no Brasil

Esses dois restaurantes tiveram uma grande importância na difusão da música e da dança árabe, principalmente a partir dos anos 80. Nesta respectiva época, muitos músicos e cantores novatos que começaram a surgir, ali passaram a se apresentar. O intuito principal era tornarem-se conhecidos e, posteriormente, serem aprovados pela exigente colônia; fato semelhante também ocorreu em relação à Dança do Ventre.

 

No “Bier Maza”, Shahrazad contava em suas apresentações com ilustres pioneiros da musicalidade árabe no Brasil: O conjuto de Wadih Cury (Wadih Koury Orquestra Árabe – conjunto pioneiro de musica árabe no Brasil) que,  em sua fase inicial, era composto por  Alaúde, Derbakke e Daff.  Posteriormente, no final dos anos 70 e começo da década de 80, introduziu-se o Violino e o Mejwiz às apresentações.

Wadih Cury fora o  primeiro alaudista árabe do Brasil. Junto ao seu instrumento, foi o primeiro músico a apresentar neste país uma composição musical árabe ao vivo.

Dentre os músicos que formavam o conjunto de Wadih Cury, destacava-se brilhantemente “o mestre dos tambores árabes do Brasil”, Fuad Haidamus, que acompanhou com seu conjunto Shahrazad em sua turnê por alguns estados brasileiros.

 

Sempre ao lado de Wadih Cury em suas apresentações pelo Brasil, Fuad Haidamus foi o primeiro percussionista árabe a apresentar um  solo de Derbakke “ao vivo” para Dança do Ventre neste país. Aliás, Shahrazad além de ser a pioneira da Dança do Ventre do Brasil, também foi a primeira cantora árabe profissional deste país.

 

Fuad Haidamus também era alaudista, mas, evidentemente, sua primordial especialidade, era a percussão árabe. Desenvolveu um estilo  fabuloso e inconfundível especialmente criado para as  apresentações de Shahrazad. Introduzia aos solos o “estalo”, acompanhado das batias normais “Ká”, “Tá” e “Dum”.  Atualmente, percussionistas como os egípcios Khamis Henkesh e Mahmoud Fadl, apresentam geralmente na estrutura de seus solos  o jogo de notas “Tá”, “Ká”, “Dum” e o “pop concha”.

Fuad Haidamus apresentava o “estalo” nas finalizações de cada frase, fornecendo ótimos subsídios à bailarina na sua apresentação. Tinha como característica ainda mais marcante a firmeza com que executava os ritmos, figurando até hoje como o melhor ritmista árabe para Dança do Ventre que o Brasil já teve.

O conjunto de Wadih Cury fora o melhor conjunto árabe deste país durante os anos em que se apresentou. Era um conjunto de essência clássica  e formal. Seus integrantes sempre impecavelmente trajados (ternos ou smokings) seguiam a mesma linha das orquestras árabes tradicionais da época. Assim, fizeram shows por todos os recantos do Brasil. Era o conjunto que sempre acompanhava Shahrazad em suas apresentações.

Já na década de 70, viajavam de avião, gravavam vídeos e faziam shows por vários Estados brasileiros, como, por exemplo, Goiás, Mato Grosso, Pará e São Paulo. Era um conjunto de grande dinamismo e carisma.

Segundo dados históricos, a difusão da música árabe no Brasil teve 3 grandes ícones: Wadih Cury (mestre e pioneiro no alaúde + canto), Fuad Haidamus (mestre de derbakke e daff) e Nabil Nagi (mestre de alaúde e o primeiro violinista árabe). Shahrazad também foi a primeira cantora árabe profissional do Brasil.

Recordemos aqui o eminente cantor Romeu Féres, Amigo de Fuad Haidamus, considerado o primeiro cantor árabe profissional deste País. Fora o pioneiro no lançamento dos primeiros Lp’s árabes em homenagem à comunidade árabe no Brasil: Jóias Árabes e Tardes Orientais.

A partir desses músicos pioneiros (Cury, Féres, Haidamus e Nagi), começaram a surgir outros, porém, já na década dos anos 80.

Haidamus também se apresentou por várias vezes ao lado do alaudista Emílio Bunduki, importante precursor na difusão inicial da música árabe no Brasil na década dos anos 80.

Emílio Bunduki também era percussionista, e, quando não estava tocando alaúde,  auxiliava o pioneiro Fuad Haidamus tocando Daff.

Durante a década dos anos oitenta, Haidamus fez dupla com o alaudista Nabil Nagi. Fora uma das duplas mais duradouras e a mais famosa até então. Juntos, Haidamus e Nagi fizeram shows por muitos lugares no Brasil.

Nagi fora o alaudista que mais se destacou durante a década dos anos 80. Jovem e talentoso, ele é considerado o grande responsável no incentivo ao surgimento de novos músicos no Brasil. Lembramos que em 1984, Fuad Haidamus, já com idade um pouco avançada, deixava ser substituído por percussionistas mais jovens, principalmente nos solos que exigiam maior agilidade.

Nabil Nagi também foi o primeiro músico árabe a colocar na capa de seu Lp a foto de uma Bailarina de Dança do Ventre!

Dentre outros importantes nomes da música e da dança árabes que trabalharam ao lado de Haidamus, podemos citar o alaudista, cantor e compositor Said Azar – importante precursor na difusão da música árabe no Brasil – e o notável Bailarino libanês Atef Issa do Tradicional Grupo Folclórico Cedro do Líbano (historicamente o primeiro grupo de danças folclóricas libanesas do Brasil).

Foi o próprio Fuad Haidamus quem incentivou seu irmão mais novo, o alaudista Jorge Aidamus, mestre de muitos outros músicos contemporâneos, a ingressar no mundo artístico da música árabe.

Dentre as várias bailarinas que trabalharam com Jorge Aidamus no restaurante Bier Maza – já na década de 80, destacamos Samira Samia, uma das precursoras que auxiliou Shahrazad na difusão da Dança do Ventre no Brasil.

Haidamus também foi o primeiro músico a cantar em uma emissora de rádio no Brasil. Na década dos anos 50, ainda muito jovem, cantou e tocou na antiga e famosa Rádio Clube de Santo André – SP, no primeiro programa árabe radiofônico da história do Brasil.

A primeira geração de bailarinas árabes do Brasil, segundo consta nos registros históricos, surgiu somente na década dos anos 70, e era formada por: Shahrazad Sharkey  (pioneira, que trouxe a arte técnica para o Brasil), Mileidy, Rita, Selma, Samira, Aziza, Sandra, Magda, Vera e Zeina, todas importantes precursoras na difusão da Dança do Ventre neste país. 

Era, portanto, um conjunto de elite, formado apenas por músicos genuinamente profissionais. Ressaltamos que havia, entretanto, muitos músicos e cantores iniciantes e curiosos que, espelhando-se em nomes profissionais como Haidamus, Bunduki, Cury e Nagi, passaram também a se apresentar na cidade de São Paulo, isso, porém, na década dos anos 80. 

Cumpre aqui ressaltar que, na época, o nome do conjunto de músicos  costumava seguir sempre o nome do alaudista integrante. Por exemplo: Conjunto de Nabeel Naji (alaudista) e Conjunto de Wadi Cury (alaudista). Era uma tradição, sem nenhuma conotação hierárquica.

Artigo escrito por Vitor Abud Hiar


2 Respostas to “Dança do ventre não é tudo igual”

  1. OMG loved reading your post. I submitted your rss to my google reader!

  2. Ammmeeeeei o blog!!!
    Na época, não pude assistir a peça, mas não vejo a hora de conhecer melhor este trabalho, que só pelo tema, já me conquistou!
    Dança do Ventre NÃO é mesmo tudo igual…Esta dança faz parte da minha vida!!!

    Tanto me aproximo desta cultura tão fascinante que às vezes sinto que já não pertenço a Belém, mas quando vejo todos esses descendentes… me sinto mais “em casa”!

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