De teco teco á doutores…. algumas das histórias


mascate

vista da cidade mascate, em Omam

Conforme, havia comentado com vocês, a conversa com o Sr Nabih foi um dos momentos mais importantes desta pesquisa. O Sr. Nabih, incansável guardião de umas das mais belas  culturas formadoras de nossa brasilidade, contou-me sobre a origem da palavra mascate. O título desta página de “teco-teco à doutores”   foi um texto produzido pelo Sr. Nabih na ocasião do lançamento do memorial dos povos.  Os mercadores árabes, em especial libaneses, ao chegarem no Pará batiam de porta em porta, para vender suas mercadorias, hoje nas periferias desta cidade, ainda conhecemos os famosos “prestação”. Desta maneira, batendo de porta em porta, construíram suas vidas e puderam transformar seus descendentes em “de teco-teco á doutores”, pois uma boa parte das familias que imigraram, eram formadas por agricultores. Vasculhando, achei na wikipédia o seguinte texto:

Mascates foi o nome dado no Brasil aos mercadores ambulantes e vendedores de “porta a porta”, também chamados de “turcos da prestação”. A origem do termo “mascate” vem do árabe El-Matrac[1], o vocábulo usado para designar os portugueses que, auxiliados peloslibaneses cristãos, tomaram a cidade de Mascate (no atual Omã) em 1507, levando mercadorias[2].

Embora o vocábulo não seja utilizado em Portugal com o mesmo significado, o nome “mascate” ficou sempre associado à imigração árabe no Brasil, resultante do grande contingente de imigrantes proveniente do Líbano e da Síria[3] que se dedicaram a esta actividade. Em menor número chegaram também ao Brasil imigrantes de outros pontos do antigo Império Otomano, como TurquiaPalestinaEgitoJordânia eIraque. Como tinham sotaque eram nomeados “turcos da prestação”, pois naquela época o Império Turco-Otomano controlava boa parte do Oriente Médio. como os imigrantes destes países vinham com a nacionalidade turca em seus documentos, ficaram conhecidos popularmente por este nome.

A mascateação introduziu inovações que, hoje são traços marcantes do comércio popular, como as práticas da alta rotatividade e alta quantidade de mercadorias vendidas, das promoções e das liquidações. Inicialmente os mascates visitavam as cidades interior e as fazendas de café, levando apenas miudezas e bijuterias. Com o tempo e o aumento do capital, começaram também a oferecer tecidos, roupas prontas e outros artigos.

  1. Consoante assevera Tanus Jorge Bastani segundo Goulart, José Alípio, O mascate no Brasil, p.31, Conquista, 1967
  2. Worcman, Susane em Saara, Relume-Dumará, 2000, ISBN 8573162244
  3. E, como em geral chegavam sem capital, a actividade a que se dedicavam era a mascateação. Fausto, BorisFazer a América: a imigração em massa para a América Latina, p.321-p.343 Edusp, 1999, ISBN 8531404843
  4. MacLachlan, Colin M., “A history of modern Brazil: the past against the future”

outra maravilhosa fonte é:

“Prometi na última crónica falar de Mascate. A cidade histórica recorda-nos o tempo em que esteve sob administração portuguesa , desde 1507 a 1650.
Os fortes de Jalali e de Mirani rodeiam hoje o moderno Palácio Real. A imagem do cartógrafo António Bocarro com a enseada , o porto de abrigo, a concha protegida pelos rochedos , é bem identificável, é impressionante a fidelidade. No fim da tarde com lua cheia com uma luminosidade turvada pela humidade gerada pelo calor intenso.

a cidade de Mascate

Mascate é uma cidade das Mil e Uma Noites como se Sherazade tivesse contado mais uma história, esta sobre os portugueses companheiros de Afonso de Albuquerque.

detalhes da arquitetura

Ontem tivemos a surpresa ao visitar Nizwa , cidade do interior onde os portugueses não estiveram. Surpresa de encontrar no forte da cidade um canhão com as armas portuguesas trazido certamente da costa e esse canhão tinha à sua volta a representação do colar do Tosão de Ouro e ao passarmos pela Mesquita de Barla , Anísio Franco lembrou bem que os gomos da cúpulas desta região estão representados nas guaritas da Torre de Belém ou não fosse esta construção de Francisco de Arruda , memória da conquista de Ormuz e da implantação do Império do Indico. Lá esta o Rinoceronte , Ganda, oferecido pelo Rei de Cambaia e enviado por Afonso de Albuquerque a Dom Manuel , Senhor da Pérsia e da Arábia. E como não lembrar também os gomos na nossa Quinta da Bacalhoa, graças à iniciativa do filho de Afonso de Albuquerque, Brás Afonso de Albuquerque.

Hoje , porém, o Sultanato de Omã projecta a sua história no futuro. A cidade moderniza-se, o turismo de qualidade é a grande aposta do Sultão , a investigação científica e a cooperação internacional estão na ordem do dia .
Dentro de 20 anos, a economia do petróleo ter-se-á esgotado, haverá gás natural, mas Omã prepara-se para as novas eventualidades.
Ao vermos uma porta manuelina no castelo de Mirani, ao lembrarmo-nos da decoração Torre de Belém, ao evocar a Arábia feliz e a Pérsia, ao recordarmos as vicissitudes da vida de Afonso de Albuquerque percebemos que a presença dos portugueses está em cada canto do mundo e lembramo-nos de que na outra costa do Mar Arábico , em Goa, está ainda a estátua de Afonso de Albuquerque, venerada pelos indo-portugueses apesar de tudo ter sido feito para apagar o seu exemplo da memória humana e ouvimo-lo : “ Mal com El-Rei por amor dos homens, mal com os homens por amor de El-Rei”.

Na próxima crónica falar-vos-ei de Ormuz , de Ormuz e de um grande encantamento!
Crónica de Guilherme d’ Oliveira Martins

Fotografia: CNC/Helena Serra


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