as fotos do vovô George Amim Daibes

•Maio 6, 2010 • 1 Comentário

Olá Karine,  estou enviando as fotos do vovô George Amim Daibes (no Brasil era chamado de Girgi Amim Daibes) e vovó Set El Kol Mitre Daibes ( no Brasil de Sitriquil Mitre Daibes) Abraços. Cássia

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“brasileiramente, brasileiros!”. por João Bosco

•Abril 18, 2010 • Deixe um Comentário

Minhas queridas Wlad Lima e Karine Jansen,

Oxalá (inch Allah) a temporada de “Brasileiramente, Árabes!” não se resuma apenas a esses dez dias, o que é muito pouco para um trabalho tão bom.Vi no segundo dia e me preparei pra ver outra vez (gosto dos prazeres dobrados), mas infelizmente não deu.

Não concordo com…., quando disse que não é emocionante. Talvez no início seja um pouco áspero, seco, como seria a vida de quem está chegando a um novo mundo completamente desconhecido, onde todos os laços (aqueles panos maravilhosos?) teriam que ser refeitos.Os atores estão ótimos. Digamos que o espetáculo começa em prosa e termina em poesia.

Os objetos comuns, utilitários, a partir de certo momento adquirem uma voltagem altamente poética. Baseado em cartas, só uma delas é realmente lida como carta, quase no final, numa cena onde o que é visto (a dança do ventre) e o que é ouvido competem em beleza e emoção. A última cena é uma jóia rara, talvez o resumo poético do que em nosso imaginário brasileiro possa ser o clima e a magia das “Mil e Uma Noites”.

Confesso que tive de enxugar uma furtiva lágrima e desfazer o nó na garganta antes de sair do teatro. Obrigado, minhas Scherezades! Antes com o Japão (“Sol e Chuva – Tayo to Ame” – só gosto mais porque já fui uma raposa branca em outras encarnações) e agora , vocês estão mostrando que somos todos “brasileiramente, brasileiros!”.

Tou certo? Mas chega de salamaleques. Uassalã! Escrito às 14:00 de 12.04.2010, olhando o Rio Guamá e comendo caruru (onde está Wally?).Beijo.

Caminhos diversos… Cá estamos, flutuando na fumaça luminosa dos narguilés, por Hudson Andrade

•Abril 13, 2010 • Deixe um Comentário

Wlad Lima e Karine Jansen são dessas tias velhas que costuram enormes e aconchegantes colchas de retalhos e nos dão de presente. Essa cara fragmentada e colorida é a marca dos seus trabalhos, seja em Macunaíma – O fim do que não tem fim, no qual eu atuei em 2000, na Escola de Teatro, passando por Amortemor, Paixão Barata e Madalenas, Laquê, Quando a Sorte te Solta um Cisne na Noite, entre tantos, até Brasileiramente, Árabes! que estreou no último dia 31 de março.
Vivi esse processo em que o texto do Mário de Andrade, nossas histórias, sensações físicas, jogos, um-bilhão-quinhentas-e-oitenta-e-quatro-milhões de referências de um-tudo alimentavam elenco e direção na construção do espetáculo. Cada ator/atriz tem sua chance, cada um oferece e recebe, cada um constrói, desconstrói, reconstrói. Às vezes eu ficava no escuro, querendo saber se tinha acertado, errado, qualquer coisa, e elas ali, sugando de mim até o bagaço pra depois devolver reidratado e fresco, com um tempero e um sabor peculiar a cada um: nós, atores, os retalhos. Elas, agulha e linha. E tesoura, se preciso.
O trabalho começou em 2008 com Maridete Daibes, Larissa Latif, Wlad Lima e Karine Jansen a partir de narrativas familiares; um grupo de pesquisadores recolheu cartas de descendentes de libaneses e todo esse material foi decodificado em símbolos. Wlad e Karine são mestras em transformar letras e contos e falas e sentimentos e sensações em símbolos e estes na poesia que preenche o palco. Daí nasceu Brasileiramente, Árabes! a pesquisa e o espetáculo, trazendo a identidade dos descendentes libaneses no Pará, sobretudo em Belém, buscando revelar uma ascendência árabe oculta aos nossos olhos e que faz parte de nossa história individual e coletiva de forma insuspeitada.
O espetáculo de 75 minutos avança em quadros com apresentações genealógicas, relatos pessoais, familiares, históricos, a imigração, os costumes, a culinária, os ditos, a fama de mercadores, a mitologia. Quatro atores descendentes de libaneses nos conduzem nessa viagem quase sinestésica, mas irregular, fruto de diferenças de maturidade cênica – todo ator/atriz tem seu espaço –, seguros pelo conjunto. Parece que aquelas histórias não são deles – de certa forma não! –, mas que precisavam de uma apropriação que tornaria tudo mais crível e emocional. A cenografia e o figurino de Klau Menezes têm a beleza das coisas simples e significantes – ainda que nem tanto para quem assiste –, contida nas cores, étnica e onírica como os personagens de nossos livros infantis. A sonoplastia de Eddie Pereira calcada na tradição árabe dá na gente aquela vontade de sacudir as cadeiras e os ombros (dizque o ECAD apareceu por lá! Essa gente não se manca!) e só peca pela falta comum em nosso teatro que usando música mecânica estanca tudo com um clique seco do pause/stop.
Todos rimos das contas de cabeça feitas para a construção de uma casa, calamos para ouvir as lendas de mercadores e califas, relembramos conflitos sangrentos, saudades. Atrás de mim uma senhora reconhecia sua própria história e comentava, antecipando-se a fala como se conhecesse o roteiro – de alguma forma sim! –; reconhecíamos as lojas e os nomes de família e no ponto de ônibus, muitos minutos depois (muitos mesmo, pois o ônibus demorou pacaraio!) três amigos comparavam os narizes e concluíam: a gente é tudo misturado mesmo!!!
Se Brasileiramente, Árabes! se propõe a revelar (nos), bingo!!!
Cá estamos. Eu desejando tanto ser novamente retalho. Caminhos diversos… Cá estamos, flutuando na fumaça luminosa dos narguilés.
“ASSALAN ALEIKUM”

Brasileiramente, Árabes! é vinculado a pesquisa “Brasileiramente, Árabes! um estudo das práticas performáticas dos descendentes de libaneses na cidade de Belém”.
Equipe de pesquisa: Carlos Vera Cruz, Cleice Maciel, Karla Pessoa, Ives Oliveira, Karine Jansen e Wlad Lima.
As cartas que originaram a dramaturgia estão disponíveis em HTTP://brasileiramentearabe.wordpress.com
SERVIÇO
Brasileiramente, Árabes!
Direção: Karine Jansen e Wlad Lima
Com Natalia Abdul Khalek (Família Abdul Khalek), Dario Jaime (Família Abdon Khalarg), Maridete Daibes (Família Daibes) e Klau Menezes (Família Anaisse).
Teatro Cláudio Barradas (Escola de Teatro e Dança da UFPA. Av. Jerônimo Pimentel, esquina com D. Romualdo de Seixas).
De 31 de março a 11 de abril de 2010, de quarta a domingo, 21 horas.
Ingressos: R$ 20,00 (vinte reais) com meia entrada para quem de direito, incluindo a categoria teatral e descendentes de libaneses, mediante comprovação.
Este projeto tem o patrocínio da Petrobras através da Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, Ministério da Cultura.

HUDSON ANDRADE

curiadaarte.blogpost.br
01 de abril de 2010.
10h53

O libanês mais forte que o Marajó já viu: João grande ou Aziz Abdon Khalarg por Everton Jaime

•Abril 8, 2010 • 4 comentários

Edinaldo Jaime, recebi de meu irmão Everton Jaime no meu e-mail Brasileiramente, Àrabes!, sou neto de Libanes Aziz Abdon Kharlarg, e me deixou a repassar a fita da minha memória que, quando criança foi para Caixoeira do Arari na Ilha deo Marajó, onde meu avô se radicou e e mudou o nome para João Jaime e passou ao eu filho que foi batizado com o nome João Jaime Filho é o meu pai, que na família passou o nome para seu filho João Jaime Neto .

Hoje tenho quatro filhos Israel Jaime, Lidiana Jaime, Eduarda Jaime. Maria eVitória Jaime minha esposa que seu pai Armed é filho de Libanes Atualmente residindo em Rio Branco/AC, onde conheci familiares de Arabes em Brasileia. e a, Epitaciolândia, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira e em outros municipios por onde passei a trabalho.

Estou duplamente feliz, primeiro pela emoção de rever meu avô, João grande, homem que nos seus ensinamentos deixou frutos maravilhosos, principalmente no sentido de amor e união da familia. saudades que me faz lembrar de quando criança iamos pedir a sua benção, apertava a ponta do dedo indicador e tinhas de dizer “ai Jesus, Maria José,vovô me solte”.

A segunda, por esse profissional dedicado desde cedo a literatura e as letras no sentido geral, se assim posso dizer,primo Dario Jaime que nos honra, participando com seus colegas, da direção desta peça, que para nós, é um documento histórico de resgate das origens e das lembranças dos momentos felizes, que ate hoje, passamos. Muito obrigado Dario Jaime, que Deus te abençõe sempre, de seu primo Everton Jaime e filhos Gabryel Karlage e Maryana Jaime.

Brasileiramente, Árabes! Estréia em Belém.

•Março 28, 2010 • Deixe um Comentário

O espetáculo Brasileiramente, àrabes! Compoe, de forma singular, uma pesquisa sobre as práticas performáticas dos descendentes de libaneses em Belém do Pará. Material primario da pesquisa, em 2008. Maridete Daibes e Larissa Latif, juntamente com Wlad lima e Karine Jansen iniciamos um trabalho cenico que tinha como mote, narrativas familiares. A descendencia libanesa das atrizes suscitou uma inquietação sobre a presença arabe, especificamente libanesa em Belem.

Desta forma, surge a pesquisa e o espetáculo. Montar “Brasileiramente, árabe!” tem sido um exercício diário de percepção e associações de imagens. Ao longo dos encontros, atores e direção exploram objetos cênicos e atribuem a eles simbologias, relacionadas às informações adquiridas ao longo do trabalho de pesquisa Brasileiramente, árabes, um estudo das práticas performáticas dos DESCENDENTES de libaneses na cidade de Belém .

 O ponto de partida da encenação foram as cartas enviadas pelos entrevistados ao grupo de pesquisadores e estão disponíveis neste blog da pesquisa. Essas cartas carregam uma multiplicidade de informações, sentimentos e sensações e tornam-se, sobretudo, um rico material para os criadores da cena. Nelas, encontramos referências a imigração das familias árabes que desembarcaram no Brasil, por volta do século XIX e inicio do século XX, por motivações políticas ou economicas, bem como identificamos em relatos algumas ações e tecnicas trazidas pelos libaneses e repassadas aos descendentes, o que chamamos na pesquisa de práticas performaticas. Explorar cenicamente essas cartas, narrativas e contos é trazer para o palco a possibilidade de revelar as relações culturais estabelecidas em Belém e no Pará, que contribuem para a formação da nossa história e, consequentemente, da nossa identidade. “Acreditamos que contribuímos neste projeto, com a memória da cidade e do país ao revelar as camadas culturais de pouca visibilidade social, além de acrescentar um olhar diferente para as culturas árabes e paraense.

Pois, se a cultura árabe está exaustivamente exposta na mídia e relacionada a conflitos políticos, econômicos e religiosos, a cultura paraense muitas vezes, está aprisionada em estereótipos incapazes de indicar a sua complexidade e diversidade, tornando pouco conhecida, até mesmo dos paraenses.” Porque vincular a pesquisa academica a produção de uma cena ? acreditamos que a primeira resposta esteja ligada a identidade dos pesquisadores, que são profissionais de teatro, alguns deles ligados as universidades. Por isso talvez, com isso o objetivo torna-se discutir e revelar -inclusive no palco- as relações culturais estabelecidas na cidade Belém e no Estado do Pará, na construção de sua história, identidades e culturas. Acreditamos que a pesquisa seja capaz de suscitar fatos e memórias, através dos relatos factuais ou ficcionais a trajetória dos imigrantes libaneses e seus descendentes, fatos e historias pouco conhecida e que foram formadoras de aspectos sociais, políticos e econômicos da região. Revelar essas historias, a partir dos sujeitos que a viveram, implica em compreender a riqueza cultural e construir uma memória histórica, politica, social, religiosa e estética da cidade de Belém e do Estado.

Acreditamos que contribuímos neste projeto, com a memória da cidade e do país ao revelar as camadas culturais de pouca visibilidade social, além de acrescentar um olhar diferente para as culturas árabes e paraense. Pois, se a cultura árabe está exaustivamente exposta na mídia e relacionada á conflitos políticos, econômicos e religiosos, a cultura paraense muitas vezes, está aprisionada em estereótipos incapazes de indicar a sua complexidade e diversidade, tornando pouco conhecida, até mesmo dos paraenses Serviço: Brasileiramente, àrabes! No palco atores descendentes de libaneses Dario Jaime (Abdon Khalarg), Natália Abdul (Khalek), Maridete Daibes, Klau Menezes (Anaisse) Fora do palco Direção: Karine Jansen e Wlad Lima Iluminação: Iara Souza Sonoplastia: Eddy Rocca Cenografia e figurino: Klau Menezes (Anaisse) Temporada: Teatro Claudio Barradas 31/03 á 11/04 de 2010 ás 21h Quarta a domingo Este espetáculo foi contemplado com o prêmio Miriam Muniz de Teatro da FUNARTE

Estréia 31 de Março, Brasileiramente, Árabes

•Março 24, 2010 • Deixe um Comentário

O espetáculo Brasileiramente, àrabes! Compoe, de forma singular, uma pesquisa sobre as práticas performáticas dos descendentes de libaneses em Belém do Pará. Material primario da pesquisa, em 2008. Maridete Daibes e Larissa Latif, juntamente com Wlad lima e Karine Jansen iniciamos um trabalho cenico que tinha como mote, narrativas familiares. A descendencia libanesa das atrizes suscitou uma inquietação sobre a presença arabe, especificamente libanesa em Belem. Desta forma, surge a pesquisa e o espetáculo.

Montar “Brasileiramente, árabe!” tem sido um exercício diário de percepção e associações de imagens. Ao longo dos encontros, atores e direção exploram objetos cênicos e atribuem a eles simbologias, relacionadas às informações adquiridas ao longo do trabalho de pesquisa Brasileiramente, árabes, um estudo das práticas performáticas dos DESCENDENTES de libaneses na cidade de Belém . O ponto de partida da encenação foram as cartas enviadas pelos entrevistados ao grupo de pesquisadores e estão disponíveis neste blog da pesquisa.

             Essas cartas carregam uma multiplicidade de informações, sentimentos e sensações e tornam-se, sobretudo, um rico material para os criadores da cena. Nelas, encontramos referências a imigração das familias árabes que desembarcaram no Brasil, por volta do século XIX e inicio do século XX, por motivações políticas ou economicas, bem como identificamos em relatos algumas ações e tecnicas trazidas pelos libaneses e repassadas aos descendentes, o que chamamos na pesquisa de práticas performaticas.  Explorar cenicamente essas cartas, narrativas e contos é trazer para o palco a possibilidade de revelar as relações culturais estabelecidas em Belém e no Pará, que contribuem para a formação da nossa história e, consequentemente, da nossa identidade. “Acreditamos que contribuímos neste projeto, com a memória da cidade e do país ao revelar as camadas culturais de pouca visibilidade social, além de acrescentar um olhar diferente para as culturas árabes e paraense. Pois, se a cultura árabe está exaustivamente exposta na mídia e relacionada a conflitos políticos, econômicos e religiosos, a cultura paraense muitas vezes, está aprisionada em estereótipos incapazes de indicar a sua complexidade e diversidade, tornando pouco conhecida, até mesmo dos paraenses.”

Porque vincular a pesquisa academica a produção de uma cena ? acreditamos que a primeira resposta esteja ligada a identidade dos pesquisadores, que são profissionais de teatro, alguns deles ligados as universidades. Por isso talvez, com isso o objetivo torna-se  discutir e revelar -inclusive no palco- as relações culturais estabelecidas na cidade Belém e no Estado do Pará, na construção de sua história, identidades e  culturas. Acreditamos que a pesquisa seja capaz de suscitar fatos e memórias, através dos relatos factuais ou ficcionais a trajetória dos imigrantes libaneses e seus descendentes, fatos e historias pouco conhecida e que foram formadoras de aspectos sociais, políticos e econômicos da região. Revelar essas historias, a partir dos sujeitos que a viveram, implica em compreender a riqueza cultural e construir uma memória histórica, politica, social, religiosa e estética da cidade de Belém e do Estado. Acreditamos que contribuímos neste projeto, com a memória da cidade e do país ao revelar as camadas culturais de pouca visibilidade social, além de acrescentar um olhar diferente para as culturas árabes e paraense. Pois, se a cultura árabe está exaustivamente exposta na mídia e relacionada á conflitos políticos, econômicos e religiosos, a cultura paraense muitas vezes, está aprisionada em estereótipos incapazes de indicar a sua complexidade e diversidade, tornando  pouco conhecida, até mesmo dos paraenses

Serviço:

Brasileiramente, àrabes!

No palco atores descendentes de libaneses

Dario Jaime (Abdon Khalarg), Natália Abdul (Khalek), Maridete Daibes, Klau Menezes (Anaisse)

Fora do palco

Direção: Karine Jansen e Wlad Lima

Iluminação: Iara Souza

Sonoplastia: Eddy Rocca

Cenografia e figurino: Klau Menezes (Anaisse)

Temporada:

Teatro Claudio Barradas

31/03 á 11/04 de 2010 ás 21h

Quarta a domingo

Este espetáculo foi contemplado com o prêmio Miriam Muniz de Teatro da FUNARTE

 

Etnodramaturgia, um olhar de Karla Pessoa

•Março 14, 2010 • Deixe um Comentário

Maridete Daibes, em cena.

A etnodramaturgia de Brasileiramente Árabe vem sendo construída a partir das cartas enviadas pelos descendentes de libaneses no Pará ao blog da pesquisa da professora Karine Jansen. Ressalta-se que “etnodramaturgia é uma maneira de compor a cena dramática no diálogo direto com determinados grupos culturais, em que o objetivo da ação dramática está em descrever para o espectador o contexto destes grupos imersos em uma teia de significados individuais e coletivos em um determinado tempo histórico”. Portanto, nessas cartas Karine procurou identificar a simbologia dos elementos referentes à cultura árabe e como esses mesmos elementos dialogam com o contexto cultural de nossa cidade. Dessa forma, as cartas são vistas como documento de identidade desse povo. A carta, aliás, sempre foi algo relevante na vida dos descendentes de libaneses no Pará, pois na época da imigração, era o único meio de comunicação entre as famílias. Enviar ou receber uma carta era algo extraordinário, como percebemos na seguinte passagem da carta de Lene Menezes: “Então como meu avô era analfabeto, resolveu ensinar a língua libanesa para meu tio Elson(Soldado da Aeronáutica), onde esse meu tio passou a escrever as cartas para meu avô se comunicar com seus parentes que ficaram em Beirute. Era de costume, meu tio Elson responder as cartas à noite quando chegava do trabalho. Já meu avô, ao receber as correspondências de sua terra,reunia a noite na calçada com seus vizinhos também libaneses: Abrahão e Jamil e assim meu avô contava aos dois sobre cada carta recebida.” Tendo como ponto de partida os dados das cartas, as cenas do espetáculo revelam sobre diferentes ângulos a identidade dos descendentes e revelam, sobretudo, essa Belém brasileiramente árabe! Como por exemplo, a partir das memórias de infância da atriz Maridete Daibes que estão ligadas à comida libanesa, vejamos: “Eu só vim me perceber descendente de libanês quando eu comecei a ir para os almoços na casa da tia Sali e lá tinha tanta comida diferente! Eram tantos cheiros e temperos que só então eu pude perceber que a minha família era, de fato, diferente.” Percebemos que Maridete, ao dizer esse texto em cena, revive suas sensações da infância e ao mesmo tempo nos transporta, enquanto espectadores, para o universo da culinária árabe. Nos faz até mesmo sentir os cheiros e nos deixa desejando os sabores dessa comida. Outro relato interessante e que faz um contraponto com a fala de Maridete, está na carta de Olinda Charone que “não se reconhece” ou “não se aceita” enquanto descendente de libanês. Como podemos notar na fala interpretada pela atriz Natália: “ Eu não gosto dessas comidas não. Acho que é porque não fui habituada a comer, sabe? Eu só vim me dá conta que eu era descendente de libanês quando vocês me pediram pra escrever essa carta. Pra falar a verdade, a única coisa que eu tenho de libanês é o meu nariz e pra ser sincera, eu não gosto dele não!”. Esta fala, a princípio, revela um certo descaso de Olinda aos costumes libaneses, no entanto, ao final do texto a atriz Natália lança mão do recurso da ironia e transmite de forma cômica o dado presente na carta de Olinda referente ao traço físico que não pode ser escondido, ou seja, o fato de ser descendente de libanês está no corpo, está literalmente estampado em seu rosto.